Ao longo dos relacionamentos, descobrimos que amar nem sempre será fácil.
Haverá dias em que o sentimento não ajudará.
Momentos em que precisaremos escolher o bem do outro.
Conversas em que amar custará mais do que concordar.
Situações em que não receberemos o retorno esperado.
Dias difíceis nos quais a bondade precisará ser preservada.
Relações em que cuidar exigirá abrir mão do controle.
Pessoas próximas que precisarão ser percebidas.
Necessidades diante das quais as palavras precisarão se transformar em atitude.
Em todos esses momentos, uma pergunta permanece:
De onde virá a força para continuar escolhendo o amor?
Porque podemos admirar o amor.
Falar sobre ele.
Reconhecer sua importância.
Prometer que agiremos de maneira diferente.
Mas, quando o orgulho é ferido, a paciência diminui e a decepção se acumula, percebemos que nossas próprias forças não são suficientes.
Precisamos de uma fonte mais profunda.
E essa fonte é Cristo.
Jesus não apenas ensinou sobre o amor.
Ele viveu o amor.
Aproximou-se de pessoas que eram evitadas.
Escutou quem não tinha voz.
Acolheu quem carregava culpa.
Confrontou sem abandonar a misericórdia.
Serviu sem buscar aplausos.
Permaneceu fiel mesmo diante da incompreensão.
Amou sem controlar.
Entregou-se sem transformar sua entrega em cobrança.
A Palavra nos orienta:
“Este é o meu mandamento: Que vocês amem uns aos outros, assim como eu tenho amado a vocês. O maior amor que alguém pode demonstrar por seus amigos é dar sua vida por eles.”
(João 15:12-13)
Jesus não disse apenas:
“Amem.”
Ele acrescentou:
“Assim como eu tenho amado vocês.”
Cristo é o modelo.
Mas também é a fonte.
Ele não nos entrega um ideal distante e depois nos deixa sozinhos tentando alcançá-lo.
Convida-nos a permanecer Nele.
A receber seu amor.
A permitir que esse amor transforme nossa maneira de enxergar, responder e cuidar.
Escolher o amor começa perto de Jesus.
Talvez uma das maiores dificuldades da vida cristã seja tentar oferecer aquilo que não estamos recebendo.
Queremos ser pacientes.
Mas vivemos distantes da fonte da paciência.
Queremos perdoar.
Mas raramente paramos para lembrar o quanto somos perdoados.
Queremos servir.
Mas estamos cansados de tentar provar nosso valor.
Queremos amar sem retorno.
Mas ainda dependemos profundamente da aprovação das pessoas.
Então o amor se torna pesado.
Transforma-se em obrigação.
Esforço permanente.
Uma tentativa de parecer melhor do que realmente estamos.
Cristo nos oferece outro caminho.
Antes de nos mandar amar, Ele nos ama.
Antes de nos chamar para servir, Ele se ajoelha.
Antes de pedir que perdoemos, Ele nos oferece perdão.
Antes de nos ensinar a permanecer, Ele promete permanecer conosco.
O amor cristão não começa na cobrança.
Começa no recebimento.
Não amamos para convencer Deus de que somos dignos.
Amamos porque, em Cristo, fomos acolhidos antes de termos tudo resolvido.
Não servimos para conquistar um lugar.
Servimos porque já recebemos um lugar à mesa.
Não perdoamos para fingir superioridade espiritual.
Perdoamos porque também dependemos diariamente da misericórdia.
Quanto mais profundamente reconhecemos o amor de Cristo por nós, mais livres nos tornamos para amar.
Já não precisamos usar as pessoas para confirmar nosso valor.
Não precisamos controlar suas escolhas para nos sentirmos seguros.
Não precisamos vencer todas as conversas.
Não precisamos receber reconhecimento por cada gesto.
Podemos oferecer algo porque já recebemos muito.
Essa verdade não torna os relacionamentos simples.
Ainda enfrentaremos frustrações.
Diferenças.
Cansaço.
Rejeição.
Mal-entendidos.
Mas não precisaremos atravessá-los apenas com nossas forças.
Podemos voltar a Cristo.
Essa volta é essencial.
Porque o amor não é uma decisão feita uma única vez.
Ele precisa ser escolhido novamente.
Hoje.
Nesta conversa.
Nesta resposta.
Neste conflito.
Nesta oportunidade de servir.
Haverá momentos em que escolheremos bem.
Em outros, reagiremos mal.
O orgulho falará mais alto.
A impaciência aparecerá.
Diremos palavras desnecessárias.
Deixaremos de perceber alguém.
Tentaremos controlar.
Esperaremos reconhecimento.
Isso não significa que todo o caminho foi perdido.
Cristo também nos ensina a voltar.
Reconhecer.
Pedir perdão.
Recomeçar.
A escolha do amor inclui a humildade de corrigir o que fizemos sem amor.
Podemos dizer:
“Eu não deveria ter falado dessa maneira.”
“Eu estava tentando controlar sua decisão.”
“Meu cuidado se transformou em cobrança.”
“Eu vi sua necessidade, mas permaneci distante.”
“Perdoe-me.”
O amor permanece não porque nunca falha.
Permanece porque não permite que o orgulho transforme uma falha em distância definitiva.
Jesus amou pessoas reais.
Discípulos que não compreendiam.
Que disputavam posições.
Que adormeciam quando Ele pediu que permanecessem acordados.
Que fugiram diante do medo.
Pedro declarou que nunca o abandonaria.
Pouco depois, negou conhecê-lo.
Cristo conhecia suas fragilidades.
Ainda assim, continuou formando, corrigindo e chamando.
Depois da ressurreição, Jesus não encontrou Pedro apenas para lembrá-lo de sua negação.
Encontrou-o para restaurá-lo.
Seu amor não ignorou o que aconteceu.
Mas também não reduziu Pedro ao seu pior momento.
É assim que Cristo nos ama.
Ele conhece nossas contradições.
As promessas que não cumprimos.
As vezes em que reagimos diferente daquilo que professamos.
Não nos chama para permanecer no erro.
Mas também não nos abandona nele.
Seu amor corrige e restaura.
Mostra a verdade e oferece recomeço.
Essa experiência muda a forma como olhamos para as pessoas.
Se Cristo não nos reduz aos nossos piores momentos, por que fazemos isso com os outros?
Se Ele continua trabalhando em nós, por que concluímos tão rapidamente que alguém nunca mudará?
Se recebemos novas oportunidades, por que tratamos um erro como sentença definitiva?
Escolher o amor é também escolher olhar para as pessoas com esperança.
Não uma esperança ingênua.
Nem a obrigação de permanecer em situações destrutivas.
Mas a esperança de que Deus ainda pode agir.
Podemos estabelecer limites.
Reconhecer riscos.
Proteger o que precisa ser protegido.
E, ainda assim, não desejar a destruição de ninguém.
Cristo nos ensina um amor que une graça e verdade.
A graça sem verdade pode se tornar permissividade.
A verdade sem graça pode se tornar condenação.
Jesus não escolhe entre as duas.
Ele fala a verdade porque ama.
E oferece graça para que a verdade não seja o fim, mas o começo da transformação.
Esse equilíbrio precisa alcançar nossos relacionamentos.
Amar não significa concordar com tudo.
Mas significa não usar a discordância para retirar a dignidade.
Amar não significa fazer tudo pelo outro.
Mas significa não permanecer indiferente quando existe um cuidado possível.
Amar não significa controlar.
Mas significa orientar com sinceridade e depois confiar a Deus aquilo que não está em nossas mãos.
Amar não significa nunca se cansar.
Mas significa reconhecer o cansaço antes de transformá-lo em crueldade.
Amar não significa depender de retorno.
Mas também não exige que chamemos exploração de reciprocidade.
Cristo nos ensina a amar com discernimento.
Um amor que cuida sem aprisionar.
Que serve sem se anular.
Que fala sem humilhar.
Que permanece sem dominar.
Que estabelece limites sem alimentar vingança.
Não conseguiremos viver esse amor mantendo Cristo apenas como uma referência distante.
Precisamos permanecer Nele.
Jesus comparou essa relação a uma videira e seus galhos.
O galho não produz fruto por esforço isolado.
Produz porque permanece ligado à fonte.
Da mesma forma, não produziremos o amor de Cristo apenas repetindo para nós mesmos que precisamos amar mais.
Precisamos permanecer.
Orar.
Ouvir sua Palavra.
Reconhecer nossa dependência.
Permitir que Ele alcance as áreas em que ainda somos governados pelo medo, pelo orgulho e pela necessidade de aprovação.
Muitas de nossas dificuldades para amar não começam nas pessoas.
Começam dentro de nós.
No medo de sermos esquecidos.
Na necessidade de controlar.
Na insegurança.
Nas feridas que nunca entregamos.
Nas expectativas que transformamos em direitos.
Cristo não quer apenas modificar nosso comportamento exterior.
Quer curar a fonte de onde nossas reações nascem.
Quando permanecemos Nele, começamos a enxergar de outra maneira.
A pessoa deixa de ser apenas alguém que nos contrariou.
Passa a ser alguém que também possui uma história.
O conflito deixa de ser apenas uma batalha a vencer.
Torna-se uma oportunidade de praticar verdade e mansidão.
O serviço deixa de ser uma forma de receber reconhecimento.
Torna-se resposta de gratidão.
O perdão deixa de ser uma obrigação pesada.
Torna-se caminho de liberdade.
Escolher o amor não significa que sentiremos vontade em todos os momentos.
Significa que, mesmo quando o sentimento não ajudar, sabemos para onde voltar.
Voltamos a Cristo.
E perguntamos:
“Jesus, como Tu me ensinarias a responder aqui?”
“Como posso permanecer na verdade sem abandonar o amor?”
“Como posso cuidar sem controlar?”
“Como posso servir sem criar uma dívida?”
“Como posso estabelecer este limite sem permitir que o ódio governe meu coração?”
Talvez a resposta venha como uma palavra.
Uma pausa.
Um pedido de perdão.
Uma atitude concreta.
Uma decisão de não revidar.
Uma conversa que precisa acontecer.
Ou o reconhecimento de que já falamos tudo o que podíamos e agora precisamos entregar.
Cristo não nos chama para uma expressão única do amor.
Ele nos ensina a discernir o que o amor pede em cada situação.
Esse aprendizado acompanha a vida inteira.
Não existe um ponto em que já sabemos amar perfeitamente.
Sempre haverá novas pessoas.
Novas diferenças.
Novas feridas.
Novas oportunidades.
Por isso, o amor é discipulado.
É uma caminhada diária com Jesus.
Ao concluir este primeiro bloco, talvez percebamos que amar envolve muitas escolhas.
Escolher o bem.
A bondade.
A presença.
A verdade.
O serviço.
A liberdade.
Mas existe uma escolha anterior a todas elas:
Escolher permanecer em Cristo.
Porque, separados Dele, rapidamente transformamos amor em troca.
Cuidado em controle.
Verdade em arma.
Serviço em busca de reconhecimento.
Mas, perto de Jesus, o coração encontra novamente seu centro.
Não amamos porque somos naturalmente capazes de tudo.
Amamos porque fomos amados.
Não permanecemos porque nunca nos cansamos.
Permanecemos porque Cristo continua nos sustentando.
Não recomeçamos porque o erro foi pequeno.
Recomeçamos porque a graça é maior.
Cristo nos ensina a escolher o amor.
E, cada vez que escolhemos voltar para Ele, o amor começa outra vez dentro de nós.
Relembre os temas deste primeiro bloco.
Amar quando o sentimento não ajuda.
Escolher o amor como decisão.
Buscar o bem do outro.
Discordar sem deixar de amar.
Não depender de retorno.
Permanecer bondoso nos dias difíceis.
Cuidar sem controlar.
Perceber o próximo que está perto.
Transformar palavras em atitudes.
Qual desses movimentos tem sido mais difícil para você?
Não tente responder apenas com aquilo que gostaria de melhorar.
Observe onde você mais precisa da presença de Cristo.
Em que parte da minha maneira de amar eu preciso voltar a permanecer em Jesus?
Apresente essa área a Ele.
Não faça apenas uma promessa de esforço.
Peça que Cristo seja a fonte.
Senhor Jesus,
Tu és a expressão mais completa do amor.
Tu me amaste antes que eu soubesse amar.
Permaneceste fiel quando eu ainda era instável.
Ofereceste graça quando eu não tinha como retribuir.
Serviste sem buscar aplausos.
Falaste a verdade sem abandonar a misericórdia.
Eu reconheço que não consigo amar dessa maneira apenas com minhas forças.
Por isso, quero permanecer em Ti.
Quando o sentimento não ajudar, sustenta minhas escolhas.
Quando o orgulho crescer, devolve-me à humildade.
Quando eu quiser controlar, ensina-me a confiar.
Quando esperar reconhecimento, lembra-me de que o Pai vê.
Quando a irritação aparecer, guarda minhas palavras.
Quando eu perceber uma necessidade, ajuda-me a transformar intenção em cuidado.
Ensina-me a amar com verdade e graça.
Com firmeza e mansidão.
Com presença e liberdade.
Quando eu falhar, não permitas que eu permaneça escondido atrás do orgulho.
Dá-me coragem para reconhecer.
Pedir perdão.
Reparar.
Recomeçar.
Não quero apenas falar sobre o Teu amor.
Quero permitir que ele alcance meus relacionamentos.
Minha casa.
Meu trabalho.
Minhas conversas.
Minhas diferenças.
Minhas respostas nos dias difíceis.
Cristo, permanece no centro.
Que eu não use as pessoas para preencher meus vazios.
Que não transforme cuidado em controle.
Que não faça do amor uma negociação.
Que eu receba de Ti aquilo que preciso para oferecer aos outros.
Hoje, escolho voltar para Ti.
E, permanecendo em Ti, escolho novamente o amor.
Amém.
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