Às vezes, confundimos humildade com diminuição.
Pensamos que ser humilde é falar menos de nossas capacidades.
Negar nossos dons.
Aceitar sempre o último lugar.
Desconfiar do próprio valor.
Como se reconhecer algo bom em nós fosse automaticamente orgulho.
Mas a verdadeira humildade não nasce da rejeição de quem somos.
Nasce de uma identidade segura.
Quem sabe que é amado por Deus não precisa se engrandecer.
Mas também não precisa se apagar.
Pode reconhecer aquilo que recebeu.
Pode usar seus dons.
Pode assumir responsabilidades.
Pode até ocupar lugares de liderança.
Sem transformar nada disso em medida do próprio valor.
A Palavra nos orienta:
“Não façam nada por interesse pessoal ou por orgulho, mas sejam humildes e considerem os outros mais importantes que vocês mesmos.”
(Filipenses 2:3)
Paulo não está ensinando desprezo por si mesmo.
Está confrontando a necessidade de colocar o próprio ego no centro.
A humildade cristã não diz:
“Eu não tenho valor.”
Ela diz:
“Meu valor está seguro o suficiente para que eu também possa enxergar o valor do outro.”
É dessa segurança que nasce um coração verdadeiramente humilde.
O orgulho e a baixa autoestima podem parecer muito diferentes.
Mas, às vezes, ambos mantêm o olhar excessivamente preso a nós mesmos.
O orgulho pergunta:
“Como posso ser maior?”
A insegurança pergunta:
“Será que sou menor?”
As duas perguntas continuam girando ao redor da própria imagem.
A humildade começa quando já não precisamos passar o tempo inteiro avaliando nossa posição.
Melhor.
Pior.
Mais importante.
Menos importante.
Superior.
Inferior.
Podemos simplesmente estar presentes.
Servir.
Aprender.
Contribuir.
Receber.
Isso acontece quando nossa identidade encontra um lugar mais firme.
Jesus sabia quem era.
Essa segurança aparece de forma muito clara quando lavou os pés dos discípulos.
João registra que Jesus sabia de onde tinha vindo e para onde estava voltando.
E então se levantou da mesa para servir.
Ele não se ajoelhou porque desconhecia seu valor.
Ajoelhou-se justamente porque seu valor não estava ameaçado pelo lugar do servo.
Essa é uma diferença profunda.
Quem precisa provar importância terá dificuldade de assumir determinadas tarefas.
Pensará:
“Isso é pequeno demais para mim.”
Quem está seguro consegue servir sem sentir que diminuiu.
Da mesma forma, quem confunde humildade com desvalorização pode recusar responsabilidades que Deus lhe confiou.
Diz:
“Não sou capaz.”
“Outra pessoa faria melhor.”
“Não tenho nada para oferecer.”
Às vezes, isso pode parecer modéstia.
Mas também pode esconder medo.
Humildade não significa negar aquilo que Deus colocou em nossas mãos.
Se existe um dom, podemos reconhecê-lo.
Se existe experiência, podemos utilizá-la.
Se conseguimos fazer algo bem, não precisamos fingir o contrário.
A questão é o que fazemos com aquilo que recebemos.
Usamos para construir nossa importância?
Ou para servir?
Essa pergunta muda tudo.
Uma pessoa humilde pode ser competente.
Pode falar com segurança.
Pode liderar.
Pode ensinar.
Pode tomar decisões difíceis.
Pode receber elogios.
O que ela não precisa é transformar essas coisas em trono.
Também pode receber uma crítica sem sentir que toda sua identidade foi atacada.
Quando nosso valor depende da imagem de acerto permanente, qualquer correção parece ameaça.
Precisamos nos defender.
Explicar.
Provar.
Mas, quando nossa identidade está firmada em Deus, podemos perguntar:
“Existe algo aqui que eu preciso aprender?”
Talvez a crítica seja injusta.
Nesse caso, podemos responder com serenidade.
Mas talvez exista verdade nela.
E reconhecer isso não nos torna menores.
A humildade nos permite aprender porque não precisamos ser perfeitos para ter valor.
Isso também muda a maneira como enxergamos o sucesso dos outros.
Quando estamos inseguros, o crescimento de alguém pode parecer diminuição do nosso espaço.
O elogio recebido pelo outro incomoda.
A capacidade dele parece ameaça.
A humildade reage de outra forma.
Consegue celebrar.
Porque o brilho de outra pessoa não apaga aquilo que Deus colocou em nós.
Não precisamos competir por dignidade.
Há lugar para diferentes dons.
Diferentes histórias.
Diferentes funções.
Paulo aprofunda esse movimento ao apresentar Cristo:
“Tenham entre vocês a mesma atitude que Cristo Jesus teve. Embora existisse na forma de Deus, ele não considerou sua igualdade com Deus algo a que devia se apegar, mas esvaziou-se a si mesmo e assumiu a forma de servo.”
(Filipenses 2:5-7)
Jesus não precisava agarrar-se à posição.
Essa é uma imagem poderosa da humildade.
O ego agarra.
A humildade pode abrir as mãos.
Não porque não exista valor.
Mas porque o valor não depende daquilo que seguramos.
Talvez por isso pessoas humildes transmitam certa liberdade.
Elas não precisam dominar todos os ambientes.
Não precisam contar todas as suas conquistas.
Mas também não precisam negar aquilo que realizaram.
Podem dizer:
“Sim, trabalhei muito nisso.”
E agradecer.
Podem dizer:
“Não sei.”
Sem vergonha.
Podem pedir ajuda.
Podem aprender com alguém mais jovem.
Podem ocupar o primeiro lugar quando a responsabilidade exigir.
E o último quando o serviço pedir.
Sua identidade não muda de acordo com a posição.
Isso é maturidade espiritual.
Talvez você tenha aprendido a se diminuir para ser aceito.
Esconder opiniões.
Evitar mostrar capacidades.
Sentir culpa ao receber reconhecimento.
Cristo não precisa destruir sua identidade para formar humildade.
Ele quer curá-la.
Porque uma pessoa que conhece seu valor em Deus consegue oferecer muito mais sem precisar disputar.
Pode dizer “sim” aos próprios dons.
E “não” à necessidade de superioridade.
Pode reconhecer suas forças.
E também suas limitações.
Humildade é esse lugar de verdade.
“Eu tenho dons.”
“Também tenho fragilidades.”
“Tenho algo a oferecer.”
“Também preciso receber.”
“Posso ensinar.”
“Também preciso aprender.”
Não existe contradição.
Existe humanidade.
Quanto mais seguros estamos no amor de Deus, menos precisamos construir uma versão exagerada ou diminuída de nós mesmos.
Podemos simplesmente viver a partir da verdade.
E usar aquilo que somos a serviço do amor.
Observe como você costuma pensar sobre si mesmo.
Você precisa provar seu valor?
Comparar-se?
Ser reconhecido?
Ou costuma diminuir suas capacidades e evitar ocupar espaços por medo de parecer orgulhoso?
Minha visão sobre mim mesmo nasce da comparação ou da identidade que recebo em Deus?
Peça a Cristo que mostre onde existe exagero.
E onde existe diminuição.
Depois permaneça na verdade:
Você não precisa ser maior que ninguém.
Nem menor.
Apenas fiel àquilo que Deus colocou em suas mãos.
Senhor Jesus,
ensina-me a verdadeira humildade.
Livra-me do orgulho que precisa provar valor.
Da comparação.
Da necessidade de ocupar o centro.
Mas livra-me também da falsa humildade que nega aquilo que Tu me deste.
Não quero me engrandecer.
Nem me diminuir.
Quero viver na verdade.
Ajuda-me a reconhecer meus dons com gratidão.
Minhas limitações com serenidade.
Meus erros sem desespero.
E minhas capacidades sem vaidade.
Que eu possa aprender sem sentir vergonha.
Receber elogios sem depender deles.
Aceitar correções sem perder minha identidade.
Celebrar o crescimento dos outros sem me sentir ameaçado.
Cristo, firma meu coração no amor do Pai.
Que eu saiba quem sou em Ti.
E, por estar seguro, tenha liberdade para servir.
Sem precisar estar acima.
Sem precisar desaparecer.
Apenas disponível.
Amém.
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