Muitas vezes, começamos a orar porque desejamos que algo aconteça.
Pedimos pela cura de alguém.
Por uma resposta.
Por uma porta que se abra.
Por uma relação que encontre um caminho de restauração.
E podemos fazer esses pedidos com toda a sinceridade. Jesus nos ensina a falar com o Pai sobre aquilo de que precisamos.
Mas algumas orações nos conduzem também a outro lugar.
Depois de dizer o que desejamos, permanecemos diante de Deus com aquilo que tememos, com o que não entendemos e com o resultado que não conseguimos assegurar.
No Getsêmani, diante do sofrimento que se aproximava, Jesus orou:
“Eu lhe imploro que afaste de mim esse cálice de sofrimento, mas que seja feita a sua vontade, e não a minha.”
(Marcos 14:36)
Jesus expressou seu desejo com clareza.
Sua entrega veio acompanhada de uma oração profundamente honesta.
Talvez seja assim que nossas mãos comecem a se abrir: quando podemos pedir ao Pai o que esperamos e confiar a Ele o que acontecerá depois do pedido.
Há uma oração que conhecemos bem:
“Senhor, faz com que dê certo.”
Às vezes, conseguimos dizer exatamente o que isso significa.
Que um exame traga boas notícias.
Que uma pessoa aceite conversar.
Que o trabalho seja preservado.
Que alguém que amamos mude uma escolha.
Que uma oportunidade não se perca.
Oramos porque nos importamos. Porque há situações que vão além do nosso alcance. Porque desejamos que Deus aja onde não conseguimos agir.
Nada disso precisa ser escondido.
Podemos contar a Jesus o resultado pelo qual esperamos.
A dificuldade começa quando sentimos que, para continuar confiando, precisamos encontrar as palavras capazes de garantir esse resultado.
Então voltamos à mesma oração muitas vezes, mas cada vez mais tensos.
Será que pedi do jeito certo?
Será que preciso insistir mais?
Será que, se eu parar por algumas horas, algo deixará de acontecer?
A oração, que poderia ser um lugar de encontro com Deus, começa a carregar a pressão de assegurar o futuro.
Talvez você já tenha se sentido assim.
Você ora por alguém querido e, logo depois, volta a imaginar todos os riscos.
Entrega uma decisão a Deus e passa o dia tentando prever cada consequência.
Pede direção, mas teme dar um passo enquanto não tiver certeza de todo o caminho.
Nesses momentos, podemos voltar à oração de Jesus no Getsêmani.
Ali não encontramos uma tranquilidade distante do sofrimento.
Jesus sabe o que está diante dEle. Fala do cálice que deseja ver afastado. Aproxima-se do Pai com a verdade de sua experiência.
E, no mesmo movimento, diz: “que seja feita a sua vontade”.
Essas palavras não apagam o primeiro pedido.
A entrega de Jesus permite que enxerguemos uma oração em que desejo e confiança podem ser apresentados juntos.
Podemos dizer:
“Pai, desejo muito que esta pessoa fique bem.”
“Gostaria que essa relação fosse restaurada.”
“Espero que essa porta se abra.”
E também:
“Não conheço tudo o que virá.”
“Não consigo conduzir sozinho esta história.”
“Permanece comigo e ensina-me a confiar em Ti.”
Talvez a segunda parte seja difícil de dizer.
Às vezes, tememos que abrir as mãos seja uma forma de desistir do que amamos. Como se a entrega exigisse diminuir nosso desejo ou fingir que qualquer resultado nos parece igualmente fácil.
Mas você pode continuar desejando.
Pode continuar pedindo.
Pode continuar esperando.
A oração de entrega permite que tudo isso aconteça diante de Deus, sem transformar a ansiedade em nossa única maneira de permanecer envolvidos.
Ela também pode nos ajudar a ouvir com mais clareza o que cabe a nós.
Talvez exista uma providência concreta a tomar depois de orar.
Procurar ajuda.
Fazer uma ligação.
Preparar uma conversa.
Pedir perdão.
Oferecer presença.
Uma pessoa que ora pela reconciliação talvez ainda precise dar o primeiro passo em direção ao diálogo.
Quem ora pela saúde de alguém pode acompanhar consultas, ajudar com necessidades práticas e dividir o cuidado com outras pessoas.
Quem pede direção para um projeto pode reunir informações e tomar uma decisão responsável.
A oração não substitui esses gestos. Ela pode dar a eles um lugar mais sereno.
Fazemos o que está ao nosso alcance, sabendo que nenhum gesto humano consegue garantir sozinho todo o desfecho.
Há também momentos em que já fizemos a nossa parte.
A mensagem foi enviada.
A conversa aconteceu.
O exame foi realizado.
A decisão precisa agora de tempo.
Nessas horas, orar pode significar voltar a Deus com as mãos que continuam querendo segurar.
“Senhor, eu entreguei isto há pouco, mas estou tentando tomar de volta.”
Talvez seja a oração mais sincera que você consegue fazer hoje.
Não há motivo para sentir vergonha por precisar repeti-la.
Algumas preocupações se tornam parte da nossa vida durante semanas, meses ou anos. Uma única oração não faz com que deixem de importar. Podemos voltar ao Pai todas as vezes que o peso reaparecer.
A cada retorno, podemos aprender um pouco mais sobre a confiança.
Às vezes, percebemos uma atitude que havíamos adiado.
Outras vezes, reconhecemos que precisamos de companhia para atravessar a espera.
Em certos dias, a oração apenas nos ajuda a respirar, a descansar por algumas horas e a continuar no dia seguinte.
Tudo isso pode fazer parte de uma vida de fé.
Talvez hoje você não consiga dizer “seja feita a tua vontade” com a serenidade que gostaria.
Você pode começar contando isso a Jesus.
“Quero confiar, mas tenho medo.”
“Quero entregar, mas isto é precioso demais para mim.”
“Ensina-me a abrir as mãos sem fechar o coração.”
A oração de entrega cresce nesse relacionamento sincero.
Levamos nossos pedidos a Deus.
Permanecemos diante dEle quando ainda não há resposta.
E, pouco a pouco, descobrimos que podemos confiar nossa vida ao Pai mesmo enquanto continuamos esperando.
Pense em uma oração que você tem repetido nos últimos dias.
Talvez haja nela um pedido muito claro. Diga-o novamente a Jesus, sem diminuir sua importância.
Depois, permaneça um instante em silêncio e pergunte:
Além do resultado que desejo, o que preciso confiar ao Pai nesta situação?
Talvez seja o tempo da resposta.
Uma decisão que pertence a outra pessoa.
O medo de sofrer uma perda.
Ou a necessidade de ser sustentado enquanto espera.
Apresente também essa parte a Deus. Se as mãos voltarem a se fechar mais tarde, você poderá orar novamente.
Senhor Jesus,
venho a Ti com aquilo que desejo.
Tu conheces meu pedido antes mesmo que eu encontre palavras, mas quero dizê-lo com sinceridade.
Há pessoas que amo.
Situações que me preocupam.
Respostas pelas quais espero.
Caminhos que eu gostaria muito de ver se abrirem.
Recebe tudo isso.
Recebe também o medo que aparece quando penso em um resultado diferente daquele que espero.
Às vezes, repito minha oração tentando encontrar alguma certeza.
Quero confiar, mas percebo minhas mãos se fechando em torno do futuro.
Ensina-me a orar Contigo.
A falar com verdade diante do Pai.
A pedir sem esconder o que importa para mim.
A escutar o que preciso fazer hoje.
E a permanecer em Tua presença quando a resposta ainda não chegou.
Se houver um passo que me cabe, dá-me coragem e sabedoria para dá-lo.
Se for tempo de esperar, sustenta meu coração.
Se eu precisar de ajuda, mostra-me com quem posso dividir este peso.
E, quando eu tentar controlar aquilo que entreguei, acolhe-me outra vez.
Senhor, não sei abrir as mãos perfeitamente.
Por isso, volto a Ti com elas como estão.
Recebe meu pedido.
Recebe minha vida.
Ensina-me, um dia de cada vez, a confiar no cuidado do Pai.
Amém.
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