Nem sempre é fácil celebrar o crescimento de alguém próximo.
Quando uma pessoa recebe uma oportunidade.
É reconhecida.
Avança em uma área na qual também gostaríamos de avançar.
Vive uma resposta de oração que ainda esperamos.
Algo dentro de nós pode se dividir.
Uma parte se alegra.
Outra compara.
“Por que com ele?”
“Quando será a minha vez?”
“Será que estou ficando para trás?”
A comparação transforma a bênção do outro em ameaça.
E aquilo que poderia produzir gratidão começa a gerar distância.
Mas a comunhão cristã nos chama para outro caminho.
A Palavra nos orienta:
“Alegrem-se com os que se alegram.”
(Romanos 12:15)
Parece simples.
Mas existe profunda maturidade nisso.
Alegrar-se verdadeiramente com alguém exige segurança.
Exige acreditar que a graça de Deus na vida do outro não significa ausência de graça na nossa.
O crescimento de alguém não diminui nosso valor.
A bênção recebida por uma pessoa não significa que fomos esquecidos.
Na família de Cristo, não precisamos competir pelo amor do Pai.
Podemos celebrar.
A comparação costuma aparecer silenciosamente.
Nem sempre desejamos conscientemente o mal do outro.
Talvez até o parabenizemos.
Mas, por dentro, sentimos desconforto.
Uma conquista dele toca numa espera nossa.
Uma habilidade dela expõe uma insegurança que carregamos.
O reconhecimento recebido por alguém desperta a sensação de invisibilidade.
E, sem perceber, começamos a medir nossa vida pela régua da vida alheia.
Isso é cansativo.
Porque sempre haverá alguém mais avançado em alguma área.
Mais reconhecido.
Mais experiente.
Com mais oportunidades.
Ou simplesmente vivendo uma estação diferente da nossa.
A comparação cria uma competição que Deus nunca nos pediu para disputar.
Paulo descreve a comunidade como um corpo.
Muitos membros.
Dons diferentes.
Funções diferentes.
Cada parte possui importância.
Nesse corpo, o crescimento de um membro beneficia todos.
Por isso, a maturidade cristã aprende a dizer:
“Que bom que Deus está fazendo isso na vida dele.”
Sem acrescentar:
“Mas e eu?”
Isso não significa negar nossos próprios desejos.
Podemos celebrar o outro e ainda admitir:
“Eu também gostaria de viver algo assim.”
As duas coisas podem coexistir.
A inveja cresce quando transformamos nosso desejo em ressentimento contra quem recebeu aquilo que ainda esperamos.
A graça nos permite fazer outra coisa:
levar nossa própria espera a Deus sem transformar o outro em adversário.
Podemos dizer:
“Senhor, isso tocou em algo que eu desejo.”
“Cuida também do meu coração enquanto espero.”
Essa oração é mais verdadeira do que fingir que a comparação não existe.
Celebrar o outro também significa reconhecer a graça por trás de seu crescimento.
Talvez tenhamos visto apenas o resultado.
Mas não conhecemos completamente o caminho.
As lutas.
As orações.
Os medos.
A disciplina.
As portas fechadas anteriores.
A maturidade evita transformar a vida alheia numa vitrine que usamos para julgar a nossa.
Olha com generosidade.
E consegue dizer:
“Eu reconheço o que Deus está formando em você.”
Há algo profundamente curador em receber esse tipo de celebração.
Uma palavra sincera.
Um elogio sem interesse.
Uma presença que não compete.
Uma pessoa que consegue nos honrar sem precisar imediatamente falar sobre si.
Comunidades assim se tornam mais seguras.
Porque as pessoas não precisam diminuir suas alegrias para evitar despertar rivalidade.
Podem compartilhar uma boa notícia sem medo de parecer arrogantes.
Podem crescer sem se desculpar por crescer.
Isso também nos desafia a observar como reagimos ao sucesso de quem está perto.
Mudamos de assunto rapidamente?
Diminuímos a conquista?
Procuramos algum defeito para equilibrar a admiração?
Respondemos contando algo parecido sobre nós?
Esses pequenos movimentos podem revelar uma necessidade de comparação.
Não precisamos nos condenar por isso.
Podemos apenas trazer o coração à luz.
Talvez a inveja esteja mostrando uma área em que ainda buscamos valor através da comparação.
Cristo pode nos encontrar justamente ali.
Nosso valor não aumenta quando estamos à frente.
Nem diminui quando alguém avança primeiro.
Somos amados antes de qualquer posição.
Essa segurança torna possível celebrar de verdade.
Também precisamos aprender a honrar dons diferentes dos nossos.
Talvez alguém faça bem aquilo que não sabemos fazer.
A resposta madura não é competir.
É agradecer.
Uma comunidade cresce quando seus membros não precisam monopolizar importância.
Podemos dizer:
“Faça você. Você tem um dom para isso.”
Podemos abrir espaço.
Indicar.
Recomendar.
Dividir reconhecimento.
Celebrar quando alguém floresce.
Isso não nos torna menores.
Mostra que já não precisamos estar no centro para saber que pertencemos.
João Batista expressou algo parecido quando falou sobre Jesus:
“É necessário que ele cresça e que eu diminua.”
(João 3:30)
Aquela frase não era autodesprezo.
Era clareza de propósito.
João sabia que não precisava competir com aquilo que Deus estava fazendo.
Há liberdade nisso.
Nem todo crescimento ao nosso redor precisa nos incluir como protagonistas.
Às vezes, nossa participação será simplesmente reconhecer:
“Deus está fazendo algo bonito aqui.”
E alegrar-nos.
Talvez hoje exista alguém que você poderia celebrar.
Uma pessoa que amadureceu.
Que perseverou.
Que superou algo difícil.
Que começou uma nova etapa.
Que desenvolveu um dom.
Que está aprendendo a servir melhor.
Não espere apenas grandes conquistas.
A graça também aparece em pequenos movimentos.
Uma atitude mais paciente.
Uma reconciliação.
Uma mudança de postura.
Uma coragem nova.
Uma fidelidade silenciosa.
Perceber esses sinais e nomeá-los é uma forma de cuidado.
Podemos dizer:
“Tenho visto seu crescimento.”
“Fico feliz pelo que Deus está construindo em você.”
“Continue.”
Palavras assim fortalecem comunhão.
Porque, numa família espiritual, a vitória do outro não precisa ser uma ameaça.
Pode se tornar motivo de gratidão.
Quando um cresce, todos recebem um sinal de que a graça continua trabalhando.
Pense em alguém cujo crescimento ou conquista despertou alguma comparação em você.
O que exatamente essa situação tocou?
Uma espera?
Uma insegurança?
Um desejo de reconhecimento?
Agora pergunte:
O que me impede de celebrar plenamente a graça de Deus na vida do outro?
Não esconda a resposta.
Entregue também sua própria espera a Cristo.
E escolha uma pessoa para encorajar de maneira sincera hoje.
Senhor Jesus,
livra meu coração da comparação.
Tu sabes como, às vezes, a alegria do outro toca em minhas próprias inseguranças.
Quando alguém cresce, não quero transformar sua bênção em medida para minha vida.
Ensina-me a celebrar.
A reconhecer dons.
A honrar avanços.
A alegrar-me sinceramente com aquilo que estás fazendo nos meus irmãos.
Quando a inveja aparecer, mostra-me o que ela está revelando em mim.
Recebe meus desejos.
Minhas esperas.
Minha necessidade de reconhecimento.
E lembra-me de que não preciso competir pelo Teu amor.
Meu valor não depende de estar à frente.
Nem de ser mais visto.
Dá-me liberdade para abrir espaço.
Compartilhar reconhecimento.
Incentivar quem está crescendo.
E agradecer por cada sinal da Tua graça ao meu redor.
Que eu seja alguém diante de quem as pessoas possam compartilhar suas alegrias sem medo.
Forma em mim um coração generoso.
Capaz de dizer com sinceridade:
“Eu me alegro com você.”
Amém.
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