Há situações em que sabemos o que precisa ser feito.
Preparar uma conversa.
Cuidar de alguém.
Tomar uma decisão.
Recomeçar um trabalho que ficou parado.
Fazemos nossa parte porque ela importa. Mas, depois de agir, podemos continuar por dentro como se tudo ainda dependesse de nós.
Repassamos o que dissemos.
Perguntamo-nos se deveríamos ter feito mais.
Tentamos descobrir como apressar uma resposta que ainda não chegou.
Ao falar sobre o trabalho que ele e Apolo haviam realizado na comunidade, Paulo escreveu:
“Eu plantei a semente e Apolo a regou. Mas foi Deus quem a fez crescer.”
(1 Coríntios 3:6)
Paulo reconhece o trabalho de cada um. Alguém plantou. Alguém regou.
E reconhece também que o crescimento não podia ser produzido por suas mãos.
Essa imagem pode nos acompanhar hoje.
Há sementes que nos cabe plantar. Há cuidado que nos cabe oferecer. E há resultados que precisamos confiar a Deus.
Às vezes, a parte mais difícil de uma tarefa começa depois que a terminamos.
Você teve a conversa que vinha adiando.
Escolheu palavras com cuidado.
Ouviu o que a outra pessoa tinha a dizer.
Foi sincero sobre o que sentia.
Depois, voltou para casa e começou a pensar:
“Será que ela entendeu?”
“Eu deveria ter dito de outro modo?”
“E se nada mudar?”
O mesmo pode acontecer no trabalho.
Você estudou, preparou uma proposta, revisou o que era possível e a enviou. Mas, enquanto espera a resposta, a mente continua tentando trabalhar sobre algo que já não está em suas mãos.
Ou acontece com alguém que você ama.
Você acompanha, oferece ajuda, procura recursos. Quando essa pessoa faz suas próprias escolhas, sente a vontade de intervir mais uma vez, apenas para ter certeza de que o cuidado produzirá o resultado desejado.
A dedicação é verdadeira.
Também é verdadeira a dificuldade de parar.
Fazer a nossa parte pode exigir esforço, tempo e coragem. Confiar depois disso pode exigir uma coragem diferente: a de reconhecer que nossa ação tem valor, mas possui limites.
Paulo usou a imagem de uma lavoura para falar do serviço realizado por pessoas diferentes na comunidade. Quem planta precisa estar presente. Quem rega também.
A semente não é lançada pela preocupação com a colheita. Ela é plantada por mãos que trabalham.
Mas ninguém consegue abrir a terra continuamente para verificar se a raiz já apareceu.
Há processos que precisam de tempo.
Há mudanças que não podemos forçar.
Há respostas que pertencem a outras pessoas.
Essa imagem não promete que tudo acontecerá exatamente como esperamos. Ela nos ajuda a olhar com honestidade para o alcance do nosso trabalho.
Talvez você esteja plantando hoje uma conversa respeitosa em uma relação que tem sido difícil.
A conversa importa.
Talvez ela abra um caminho. Talvez revele que ainda há muito a tratar. Você pode falar a verdade com amor, mas não pode fazer a outra pessoa ouvir, compreender e mudar no tempo que desejaria.
Talvez você esteja regando, dia após dia, o cuidado de alguém.
Uma visita.
Uma refeição preparada.
Uma carona.
A companhia durante um tratamento.
Esses gestos importam, mesmo quando você não consegue eliminar a dor de quem ama.
Talvez seu trabalho seja menos visível.
Você procura agir com integridade em uma situação na qual seria mais fácil desistir.
Cumpre uma responsabilidade.
Pede perdão por um erro.
Estabelece um limite necessário.
Começa de novo depois de uma tentativa frustrada.
Pode ser que ninguém perceba imediatamente o significado disso.
Ainda assim, foi sua parte naquele dia.
Existe uma pergunta útil diante de cada situação:
“Qual é o cuidado concreto que me cabe oferecer agora?”
Ela nos aproxima da responsabilidade.
Mas precisamos de outra pergunta também:
“O que estou tentando produzir à força depois de já ter feito a minha parte?”
Ela nos ajuda a reconhecer quando o esforço deu lugar à tentativa de controlar o resultado.
Às vezes, descobriremos que ainda há algo a fazer. Precisamos reparar um erro, buscar ajuda, ouvir melhor ou cumprir uma promessa.
Confiar em Deus não nos impede de perceber isso.
Em outros momentos, descobriremos que estamos repetindo o mesmo gesto porque não suportamos esperar.
Mandamos outra mensagem sem que haja algo novo a dizer.
Revemos pela décima vez uma decisão já tomada com cuidado.
Tentamos convencer alguém que já compreendeu nossa posição, mas precisa percorrer o próprio caminho.
É nesse ponto que o descanso pode começar.
Descansar não significa que a situação deixou de importar. Significa que podemos parar de acrescentar esforço onde o esforço já não alcança.
Podemos dizer a Jesus:
“Senhor, eu plantei o que estava ao meu alcance hoje. Ajuda-me a deixar esta semente em Tuas mãos.”
Talvez amanhã surja uma nova responsabilidade.
Talvez seja preciso regar de novo.
A confiança não exige que abandonemos o cuidado depois de um único gesto. Ela nos ajuda a discernir quando agir, quando esperar e quando encerrar o trabalho deste dia.
Há ainda uma razão pela qual isso é tão difícil: muitas vezes, associamos nosso valor ao resultado.
Se alguém não mudou, pensamos que não soubemos ajudar.
Se uma proposta não foi aceita, concluímos que todo o esforço foi inútil.
Se uma relação continua difícil, perguntamo-nos se nosso pedido de perdão teve algum sentido.
Mas nem todo fruto pode ser medido imediatamente. E nem toda resposta de outra pessoa é uma medida fiel do amor, da honestidade ou da dedicação que oferecemos.
Você pode olhar para sua ação com humildade. Aprender com o que poderia ter sido diferente. Corrigir o que precisar de correção.
E, ainda assim, reconhecer o bem que buscou fazer.
Cristo nos encontra nesse lugar: depois do esforço, quando as mãos continuam inquietas e a mente procura mais alguma coisa para assegurar o futuro.
Podemos levá-las a Ele.
Podemos pedir que nos mostre se há um próximo passo.
E podemos receber a permissão de descansar quando, por hoje, o trabalho terminou.
Fazer a sua parte e confiar talvez não seja uma decisão tomada uma única vez.
É uma prática.
Plantar com atenção.
Regar com fidelidade.
E, quando chegar a hora, deixar a terra em paz.
Pense em uma situação à qual você tem dedicado esforço.
Observe primeiro o que já fez.
Talvez tenha trabalhado, conversado, acompanhado, pedido ajuda ou tomado uma decisão difícil.
Depois, pergunte em silêncio:
Há algo responsável que ainda me cabe fazer hoje, ou estou tentando garantir um resultado que já não depende de mim?
Se houver um passo concreto, considere dá-lo com atenção.
Se sua parte por hoje estiver concluída, apresente a Jesus o que permanece em aberto.
Você pode voltar a cuidar amanhã, se for necessário. Por agora, permita que suas mãos descansem.
Senhor Jesus,
Tu conheces as situações às quais tenho dedicado meu esforço.
Sabes o que fiz com cuidado.
O que ainda preciso aprender.
As conversas que tive.
As decisões que tomei.
E os resultados pelos quais continuo esperando.
Ajuda-me a reconhecer minha parte com honestidade.
Dá-me coragem para agir quando houver algo a fazer.
Humildade para corrigir meus erros.
Paciência para oferecer cuidado mais de uma vez, quando ele for necessário.
Mas ensina-me também a perceber quando meu esforço chegou ao seu limite.
Quando eu quiser controlar a resposta do outro, lembra-me de respeitar seu caminho.
Quando eu quiser apressar um processo, ajuda-me a reconhecer seu tempo.
Quando eu medir o valor do que fiz apenas pelo resultado, mostra-me novamente o sentido da fidelidade.
Recebe as sementes que plantei hoje.
Recebe também minha ansiedade por vê-las crescer.
Se houver outro passo para amanhã, guia-me quando esse dia chegar.
Por agora, quero descansar em Tua presença.
Confio a Ti aquilo que minhas mãos não conseguem produzir.
Amém.
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