Há responsabilidades que realmente são nossas.
Uma decisão a tomar.
Uma conversa a iniciar.
Uma conta a organizar.
Alguém de quem precisamos cuidar.
Mas, às vezes, sem perceber, tentamos assumir também aquilo que não está em nossas mãos:
A reação de outra pessoa.
O resultado de um esforço.
O tempo de uma resposta.
Tudo o que poderá acontecer amanhã.
Jesus conhece essa inquietação. Ao falar sobre as preocupações da vida, Ele pergunta:
“Qual de vocês, por mais que se preocupe, pode adicionar uma hora à sua vida?”
(Mateus 6:27)
A pergunta não despreza nossas necessidades. Jesus fala de comida, roupas e do dia seguinte — coisas concretas, que importam a quem precisa viver.
Ele nos convida, porém, a perceber o limite da preocupação: podemos gastar muita força tentando garantir um resultado que ela não é capaz de produzir.
Talvez seja aí que comece a entrega.
Você já terminou um dia cansado, mesmo sem ter parado um instante?
Talvez tenha feito tudo o que podia. Trabalhou, respondeu mensagens, cuidou de pessoas, resolveu problemas. E, quando finalmente houve silêncio, sua mente continuou trabalhando.
Refez uma conversa.
Imaginou uma resposta que ainda não veio.
Tentou prever as consequências de uma decisão.
Pensou no que fazer se algo der errado.
Existe um cansaço próprio de quem vive tentando chegar antes do futuro.
Muitas vezes, o desejo de controlar nasce de algo compreensível. Queremos proteger nossa família. Preservar o trabalho. Evitar uma perda. Poupar alguém de uma dor que conhecemos.
Por isso, soltar o controle pode parecer descuido.
Mas entregar a Deus aquilo que não governamos não nos torna menos responsáveis. Ajuda-nos a reconhecer onde nossa responsabilidade termina.
Podemos preparar uma conversa com sinceridade. Não podemos decidir como o outro a receberá.
Podemos trabalhar com dedicação. Não podemos assegurar cada resultado.
Podemos cuidar de alguém com amor. Não podemos viver sua vida por essa pessoa.
Podemos fazer planos para amanhã. Não podemos habitá-lo hoje.
Quando tentamos carregar as duas partes — a nossa e a que está além de nós — o coração se sobrecarrega. Aos poucos, até aquilo que fazemos por amor passa a vir acompanhado de tensão.
Jesus nos chama a olhar novamente para o Pai.
Mais adiante, no mesmo ensinamento, Ele diz que o Pai sabe do que precisamos (Mt 6:32). Essa verdade não responde antecipadamente a todas as nossas perguntas. Mas oferece um lugar para onde levá-las.
Talvez hoje você ainda precise tomar uma decisão. Talvez exista uma providência concreta ao seu alcance. A entrega não elimina esse passo.
Ela pode começar com uma oração simples, antes de dá-lo:
“Jesus, ajuda-me a fazer com fidelidade o que me cabe. E a confiar a Ti aquilo que não consigo garantir.”
É possível que, algum tempo depois, a preocupação volte. Você talvez precise fazer essa oração outra vez.
Tudo bem.
A confiança também amadurece assim: voltando a Cristo, quantas vezes forem necessárias, com as mãos cheias de coisas que gostaríamos de controlar.
Pense em uma situação que tem ocupado sua mente.
Pergunte-se com calma:
O que está ao meu alcance fazer hoje — e que resultado estou tentando garantir sozinho?
Se houver um passo concreto, reconheça-o.
Depois, nomeie diante de Jesus a parte que você não pode controlar. Permaneça alguns instantes em silêncio e entregue-a a Ele.
Senhor Jesus,
Tu conheces aquilo que me preocupa.
Sabes o que preciso resolver e o que tenho tentado garantir sem conseguir.
Ajuda-me a enxergar com clareza a parte que me cabe hoje. Dá-me coragem para agir, sabedoria para decidir e amor para cuidar.
E, quando eu chegar ao limite das minhas mãos, ensina-me a confiar no Pai.
Recebe as pessoas que amo.
As respostas que espero.
Os resultados que não posso assegurar.
Quando minha mente tentar correr à frente, chama-me de volta à Tua presença.
Quero aprender a caminhar Contigo neste dia.
Amém.
Deixe o seu comentário: