Algumas perguntas acompanham nossos dias em silêncio.
“Por que isso aconteceu?”
“Quanto tempo ainda vai durar?”
“O que devo fazer agora?”
Talvez já tenhamos conversado, procurado informações e orado muitas vezes.
Ainda assim, há algo que não conseguimos compreender.
E podemos começar a acreditar que só encontraremos paz quando a última pergunta tiver sido respondida.
Paulo, porém, fala de uma paz que vai além daquilo que conseguimos entender:
“E a paz de Deus, que está além da compreensão humana, guardará os corações e as mentes de vocês em Cristo Jesus.”
(Filipenses 4:7)
Essa promessa vem depois do convite a apresentar nossas necessidades a Deus em oração.
Podemos levar nossas perguntas.
Dizer o que esperamos.
Reconhecer o que nos assusta.
Há espaço para buscar a paz de Cristo enquanto parte da nossa história ainda permanece sem explicação.
É difícil deixar uma pergunta importante em aberto.
A mente volta a ela.
Reorganiza os fatos.
Procura alguma informação que ainda não percebeu.
Talvez você releia uma conversa tentando compreender por que alguém se afastou.
Talvez procure uma explicação para uma perda.
Ou esteja diante de uma mudança que alterou planos construídos durante muito tempo.
Queremos entender porque aquilo importa.
Compreender pode nos ajudar a decidir, a cuidar, a reconhecer um erro ou a encontrar um caminho possível.
Por isso, fazer perguntas também pode ser uma atitude responsável.
Há questões que precisam de investigação.
Conversas que merecem acontecer.
Informações que devemos buscar.
Mas algumas respostas não estarão disponíveis no momento em que precisamos delas.
Outras talvez permaneçam incompletas por muito tempo.
É nessa realidade que podemos perguntar:
“O que acontece com minha vida enquanto eu ainda não compreendo?”
Talvez você perceba que passou a adiar o descanso.
A disponibilidade para estar com alguém.
A possibilidade de desfrutar um momento simples.
Tudo parece aguardar a resposta que falta.
Até uma notícia boa chega sem encontrar muito espaço, porque a pergunta continua ocupando o centro.
Não escolhemos facilmente viver assim.
Uma questão dolorosa pode prender nossa atenção de um modo que não conseguimos interromper apenas por vontade.
Por isso, precisamos de gentileza ao olhar para o que acontece dentro de nós.
Podemos reconhecer a importância da pergunta e perceber quanto ela está exigindo de nossas forças.
Talvez você já tenha buscado tudo o que era possível saber hoje.
Talvez esteja retomando os mesmos fatos, sem encontrar nada novo.
Talvez procure certeza em uma situação na qual ainda existe apenas uma possibilidade.
Nesse ponto, uma pausa pode ser necessária.
Você pode dizer:
“Esta pergunta importa. Posso voltar a ela quando houver algo novo. Agora, preciso cuidar da vida que continua aqui.”
Esse gesto pode ser acompanhado por uma oração.
“Jesus, eu ainda não entendo. Ajuda-me a atravessar este momento Contigo.”
Paulo fala da paz de Deus guardando o coração e a mente em Cristo Jesus.
São justamente lugares muito afetados quando não temos respostas.
O coração sente.
A mente procura caminhos.
Às vezes, os dois parecem trabalhar sem descanso.
A oração permite apresentar a Deus essa experiência inteira.
Podemos falar sobre os fatos e sobre o modo como eles nos atingem.
Sobre a pergunta que fazemos e o medo que existe por trás dela.
Talvez você pergunte quando uma situação terminará porque teme não ter forças para continuar.
Talvez queira compreender uma atitude porque se sentiu rejeitado.
Talvez procure uma garantia porque já atravessou perdas difíceis e receia vivê-las novamente.
Perceber isso pode nos ajudar a orar com mais verdade.
Além de “por que isso aconteceu?”, talvez exista:
“Senhor, estou ferido.”
Além de “o que acontecerá amanhã?”, talvez exista:
“Tenho medo de ficar sozinho diante disso.”
Essas necessidades podem receber cuidado mesmo enquanto a explicação permanece incompleta.
Podemos não conseguir resolver uma pergunta hoje e, ainda assim, encontrar companhia para o que ela desperta em nós.
Na presença de Cristo, não precisamos transformar cada dificuldade em uma conclusão.
Podemos admitir que algo doeu.
Que não sabemos explicar.
Que precisamos de amparo.
Os próprios discípulos fizeram perguntas a Jesus enquanto caminhavam com Ele.
Em João 14, Tomé diz que não sabe para onde Jesus vai e pergunta como poderiam conhecer o caminho.
Jesus o escuta e aponta para si mesmo como o caminho para o Pai.
A pergunta encontra lugar dentro da relação.
Nós também podemos continuar nos aproximando com aquilo que não entendemos.
A confiança cresce quando aprendemos que podemos falar com Cristo sem apresentar uma fé inteiramente organizada.
Talvez sua oração de hoje contenha perguntas e gratidão.
Esperança e cansaço.
Um pedido claro e a dificuldade de imaginar o futuro.
Você pode apresentar tudo isso.
Há também pessoas com quem podemos dividir nossas inquietações.
Alguém que escute sem apressar uma explicação.
Que nos ajude a distinguir o que sabemos daquilo que apenas imaginamos.
Que ofereça presença quando nenhuma palavra resolve.
Esse cuidado pode ser precioso.
Às vezes, uma resposta rápida fecha uma conversa que precisava de tempo. Uma presença paciente permite que a dor seja reconhecida e que os próximos passos sejam discernidos com calma.
Você pode procurar esse tipo de companhia.
Pode também pedir ajuda para uma decisão concreta, mesmo sem compreender toda a história.
Talvez ainda não saiba por que uma relação mudou, mas consiga reconhecer um limite necessário.
Talvez não conheça a duração de um processo, mas possa organizar o cuidado desta semana.
Talvez não tenha clareza sobre o futuro, mas saiba qual compromisso precisa cumprir hoje.
A ausência de uma resposta completa não elimina toda possibilidade de caminhar.
Podemos começar pelo que está suficientemente claro.
E confiar a Deus aquilo que continua além da nossa compreensão.
Em alguns dias, essa entrega trará alívio perceptível.
Em outros, a pergunta retornará com a mesma intensidade.
Você poderá apresentá-la novamente.
Precisar voltar não torna sua oração anterior menos sincera.
A paz também pode ser cultivada nesses retornos: uma palavra lembrada, uma conversa acolhedora, uma noite em que conseguimos descansar um pouco melhor.
Talvez hoje nenhuma explicação nova apareça.
Ainda assim, pode haver uma refeição compartilhada.
Um trabalho realizado com atenção.
Um pedido de ajuda finalmente feito.
Alguns minutos de silêncio diante de Jesus.
Permita que esses momentos tenham lugar.
A pergunta continua importante.
Sua vida também precisa de cuidado enquanto a resposta não vem.
Pense em uma pergunta que tem ocupado seus pensamentos.
Observe se há alguma informação concreta que você ainda pode buscar ou se, por enquanto, chegou ao limite do que consegue saber.
Depois, pergunte:
De que cuidado preciso enquanto esta pergunta permanece aberta?
Talvez precise conversar.
Descansar.
Receber orientação para um próximo passo.
Ou apresentar a Jesus um medo que ainda não conseguiu nomear.
Leve essa necessidade a Ele com sinceridade.
Senhor Jesus,
há coisas que ainda não compreendo.
Perguntas às quais retorno.
Situações que tento organizar dentro de mim.
Às vezes, penso que só poderei descansar quando souber explicar tudo.
Mas estou cansado de procurar respostas que hoje não consigo alcançar.
Recebe minhas perguntas.
Recebe também a dor e o medo que existem por trás delas.
Dá-me sabedoria para buscar as informações de que preciso.
Humildade para ouvir.
E discernimento para reconhecer quando é hora de fazer uma pausa.
Cuida do meu coração enquanto ainda não entendo.
Guarda minha mente quando os pensamentos voltarem aos mesmos lugares.
Ajuda-me a perceber o próximo passo possível e as pessoas com quem posso compartilhar esta caminhada.
Quero continuar vivendo com atenção ao dia de hoje.
Receber o cuidado que está disponível.
E encontrar espaço para estar Contigo com a minha história ainda aberta.
Senhor, ensina-me a confiar em Ti também aqui.
Amém.
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