Há dias em que a agenda parece começar antes de nós.
Ao acordar, já lembramos dos compromissos.
Das mensagens que precisam de resposta.
Das pessoas que esperam alguma providência.
De tudo o que ficou pendente ontem.
Talvez desejemos alguns minutos de silêncio com Jesus. Mas, quando percebemos, estamos envolvidos na primeira tarefa e tentando alcançar a seguinte.
Então pensamos:
“Mais tarde, quando tudo estiver tranquilo, eu paro para estar com Ele.”
Só que a tranquilidade pode demorar.
Ao falar com seus discípulos, Jesus usou a imagem de uma videira e seus ramos:
“Continuem em mim e eu continuarei em vocês.”
(João 15:4)
O ramo permanece ligado à videira enquanto cresce e produz fruto.
Essa imagem pode nos acompanhar também nos dias cheios.
A comunhão com Cristo pode encontrar lugar dentro da vida que precisamos viver hoje.
Talvez você conheça a sensação de passar um dia inteiro fazendo coisas importantes e, ao final, perceber que quase não esteve presente nele.
Resolveu problemas.
Participou de conversas.
Cumpriu compromissos.
Mas, por dentro, parecia sempre um pouco adiante.
Durante uma reunião, pensava na próxima.
Enquanto alguém falava, lembrava de uma mensagem.
Ao concluir uma tarefa, sentia a pressão de tudo o que ainda faltava.
Nesses dias, podemos sentir distância também na relação com Cristo.
Não porque deixamos de crer.
Mas porque nossa atenção foi sendo tomada, pouco a pouco, até não encontrarmos espaço para perceber como estamos e voltar o coração a Ele.
À noite, essa percepção pode trazer culpa.
“Passei o dia inteiro sem orar.”
“De novo, deixei Deus para depois.”
“Eu deveria conseguir organizar melhor minha vida.”
Podemos reconhecer que precisamos cuidar dessa relação sem transformar a percepção em mais uma cobrança.
Jesus nos chama a permanecer.
Há um vínculo a cultivar, um lugar ao qual podemos retornar.
Quando usa a imagem da videira, Ele fala de uma vida que depende dessa união para dar fruto. Nos versículos seguintes, relaciona a permanência às suas palavras, ao seu amor e aos seus mandamentos.
Portanto, essa comunhão pode alcançar a maneira como atravessamos o dia.
O que ouvimos.
Como respondemos.
As decisões que tomamos.
O cuidado que oferecemos às pessoas.
Talvez seja possível começar com uma oração antes de abrir as primeiras mensagens:
“Jesus, acompanha-me no que vou fazer. Ajuda-me a perceber o que realmente precisa de atenção.”
Essa oração não organiza automaticamente a agenda.
Mas nos ajuda a entrar nela conscientes de que podemos caminhar com Cristo.
Mais tarde, diante de uma conversa difícil, podemos retornar:
“Senhor, dá-me clareza para falar e disposição para ouvir.”
Antes de uma decisão:
“Ajuda-me a agir com verdade.”
Quando a pressa começa a nos tornar impacientes:
“Jesus, estou acelerado por dentro. Ensina-me a estar aqui.”
São orações breves.
Talvez durem apenas alguns segundos.
Ainda assim, podem expressar um movimento sincero de aproximação.
Permanecer também pode ser aprender a voltar no meio do que estamos fazendo.
Voltar quando percebemos que deixamos de ouvir.
Quando a ansiedade tomou uma decisão por nós.
Quando estamos prestes a responder de maneira agressiva.
Quando assumimos mais uma responsabilidade sem discernir se temos condições.
Nesses momentos, a lembrança de Cristo pode abrir um pequeno espaço entre o impulso e a resposta.
Talvez nesse espaço consigamos escutar melhor.
Rever uma palavra.
Pedir alguns minutos antes de decidir.
Reconhecer um limite.
Ou dizer que precisamos de ajuda.
A comunhão começa a ganhar forma na vida concreta.
Há também tarefas simples nas quais podemos cultivar essa presença.
Preparar uma refeição.
Organizar documentos.
Cuidar de uma casa.
Realizar um trabalho que exige atenção.
Podemos apresentá-las a Jesus e fazê-las com o cuidado possível, lembrando das pessoas a quem servirão.
Isso não exige pensar conscientemente em Deus a cada segundo.
Há atividades que precisam de concentração inteira. A própria atenção dedicada ao trabalho pode fazer parte de uma resposta responsável diante dEle.
Podemos orar antes de começar.
Trabalhar.
E, quando surgir uma pausa natural, voltar o coração a Cristo.
Talvez para agradecer.
Talvez para apresentar uma dificuldade.
Talvez apenas para reconhecer:
“Senhor, continuo aqui.”
Os momentos reservados de oração e escuta também precisam de lugar.
Uma relação se aprofunda quando oferecemos tempo para estar juntos. Podemos buscar um período realista para ler o Evangelho, orar e perceber o que carregamos.
Mas, em uma fase exigente, talvez esse tempo precise ser simples.
Alguns minutos pela manhã.
Uma passagem lida com atenção.
Uma oração ao encerrar o trabalho.
Um momento de silêncio antes de dormir.
A fidelidade pode crescer nesses encontros possíveis.
Se hoje o horário foi interrompido, você pode procurar outro momento. Se não conseguiu fazer como havia planejado, pode se aproximar com a vida como ela ficou.
A dificuldade de um dia não precisa nos afastar no seguinte.
Existe, porém, uma pergunta que merece honestidade.
Nossa agenda está cheia por uma necessidade desta fase ou se tornou continuamente maior do que nossas forças?
Há períodos em que precisamos atravessar exigências extraordinárias. Em outros, a sobrecarga se prolonga porque não conseguimos rever compromissos, repartir tarefas ou dizer que algo precisa mudar.
Permanecer em Cristo pode nos ajudar a perceber essa diferença.
Talvez a oração revele um medo de decepcionar.
Uma dificuldade de aceitar ajuda.
Uma tentativa de resolver o que pertence a outra pessoa.
Nesses casos, o próximo passo poderá envolver uma conversa e uma mudança concreta na rotina.
Jesus pode nos ensinar enquanto realizamos nossas tarefas e enquanto discernimos quais tarefas realmente precisamos assumir.
Talvez hoje haja muito a fazer.
Você não precisa conhecer antecipadamente a melhor maneira de atravessar tudo.
Pode começar pelo próximo momento.
Uma tarefa.
Uma conversa.
Uma decisão.
E levar a cada um deles uma pergunta simples:
“Como posso caminhar Contigo aqui?”
Aqui, no trabalho.
Aqui, enquanto cuido de alguém.
Aqui, diante de uma pendência.
Aqui, quando percebo que estou cansado.
O ramo permanece ligado à videira enquanto a vida acontece.
Podemos aprender essa permanência um retorno de cada vez.
Olhe para sua agenda de hoje e escolha um momento que provavelmente exigirá muito de você.
Uma conversa.
Uma decisão.
Uma tarefa difícil.
Pergunte:
Como posso voltar minha atenção a Cristo dentro desse momento?
Escolha uma oração breve que expresse sua necessidade.
Depois, procure também um pequeno tempo para ouvir: uma passagem do Evangelho, alguns minutos de silêncio ou uma oração ao encerrar o dia.
Senhor Jesus,
há muito a fazer hoje.
Tu conheces meus compromissos.
As pessoas que esperam por mim.
As decisões que preciso tomar.
E a facilidade com que minha atenção se dispersa entre tantas exigências.
Quero permanecer Contigo enquanto vivo este dia.
Ajuda-me a voltar à Tua presença no meio das tarefas.
Antes de responder, ensina-me a ouvir.
Antes de decidir, dá-me discernimento.
Quando a pressa me tornar impaciente, lembra-me das pessoas que estão diante de mim.
Que Tua palavra encontre lugar nas minhas escolhas.
Que Teu amor oriente minha maneira de trabalhar e cuidar.
Mostra-me também o que precisa ser revisto na rotina.
Dá-me humildade para pedir ajuda e coragem para compartilhar responsabilidades.
Quero reservar tempo para estar Contigo e aprender a reconhecer Tua companhia durante o restante do dia.
Quando eu me dispersar, acolhe meu retorno.
Senhor, acompanha-me no próximo passo.
Ensina-me a permanecer em Ti.
Amém.
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