Há perguntas que permanecem conosco por mais tempo do que gostaríamos.
“Como isso vai terminar?”
“Qual decisão será tomada?”
“Essa pessoa ficará bem?”
“E se o caminho que escolhi estiver errado?”
Procuramos informações. Conversamos. Oramos. Fazemos o que está ao nosso alcance.
Ainda assim, a certeza não vem.
Jesus falou a seus discípulos em um momento no qual eles também não compreendiam tudo o que estava por acontecer. Sua partida se aproximava, e eles tinham perguntas sobre o caminho à frente.
Foi nesse contexto que Ele disse:
“Não se abalem! Continuem confiando em Deus e continuem confiando em mim.”
(João 14:1)
Jesus não entregou aos discípulos uma explicação antecipada para cada acontecimento que enfrentariam.
Ele os chamou a continuar confiando.
Talvez essa palavra também nos encontre quando ainda não sabemos o desfecho: podemos permanecer com Cristo enquanto as respostas não chegam.
Algumas incertezas duram apenas algumas horas.
Esperamos uma mensagem, recebemos uma resposta e seguimos.
Outras se instalam na rotina.
Uma investigação médica ainda não foi concluída.
Uma oportunidade profissional depende de uma decisão que não está em nossas mãos.
Uma relação passa por mudanças que ninguém sabe nomear.
Um familiar atravessa uma fase difícil, e cada conversa deixa novas perguntas.
Você continua vivendo.
Trabalha.
Cuida da casa.
Encontra pessoas.
Mas uma parte da sua atenção permanece voltada para aquilo que ainda não sabe.
Talvez você confira o telefone muitas vezes.
Releia uma conversa em busca de algum sinal.
Pesquise mais uma possibilidade.
Peça a alguém que diga o que acha que acontecerá.
A necessidade de saber faz sentido. Quando uma situação importa, queremos compreender o terreno em que estamos pisando.
Às vezes, buscar informação é uma atitude necessária. Pode haver uma pergunta a fazer ao médico, um prazo a confirmar, uma conversa que precisa ocorrer ou uma decisão que pede aconselhamento.
Mas há um momento em que já reunimos o que era possível, e a resposta continua indisponível.
O que fazemos com o coração nesse intervalo?
Podemos sentir que a confiança deveria preencher imediatamente o espaço deixado pela certeza. Então nos cobramos por ainda sentir medo.
Mas os discípulos a quem Jesus falou também tinham perguntas. Pedro queria saber para onde Ele iria. Tomé perguntou como poderiam conhecer o caminho (Jo 13:36; 14:5).
Jesus acolheu pessoas que ainda não entendiam.
Isso importa para nós.
Podemos confiar em Cristo e continuar fazendo perguntas.
Podemos orar e admitir que estamos inquietos.
Podemos crer em sua presença sem afirmar que sabemos como uma história terminará.
A confiança amadurece também quando aprendemos a permanecer perto de Jesus com as perguntas ainda abertas.
Talvez hoje você deseje uma certeza muito específica.
Quer ouvir que alguém se recuperará.
Que uma relação será restaurada.
Que terá recursos suficientes.
Que uma escolha produzirá exatamente o futuro esperado.
Você pode apresentar esses desejos a Deus. Pode pedir por aquilo que espera com palavras claras.
Mas talvez não receba, agora, conhecimento sobre o resultado.
Nesse caso, permanecer com Cristo pode começar de maneira simples.
Voltar à oração quando a mente se enche de cenários.
Pedir companhia a alguém de confiança.
Fazer uma pergunta concreta que ainda precisa ser feita.
Continuar cumprindo as responsabilidades deste dia.
Permitir-se estar presente em uma conversa, em uma refeição ou em um momento de descanso, mesmo que a questão não esteja resolvida.
Não é fácil.
A incerteza pode fazer com que tudo pareça suspenso. Pensamos: “Quando eu souber, poderei voltar a viver.”
Mas a vida continua acontecendo durante a espera.
Pessoas queridas ainda precisam de nossa atenção.
Nosso corpo ainda precisa de cuidado.
Há trabalho que podemos realizar.
Há gestos de amor possíveis.
Cristo está conosco também nesses dias que parecem uma passagem entre uma pergunta e uma resposta.
Permanecer com Ele não significa ignorar a realidade. Significa trazer a realidade inteira à sua presença.
“Jesus, ainda não sei.”
“Tenho medo do que posso ouvir.”
“Preciso tomar uma decisão sem possuir todas as informações que gostaria.”
“Mostra-me o que cabe a mim agora.”
Às vezes, ao orar, perceberemos um próximo passo.
Buscar uma segunda conversa.
Rever uma escolha.
Organizar o que já sabemos.
Pedir ajuda.
Em outros momentos, perceberemos que ainda é tempo de esperar.
E esperar pode ser uma das experiências mais exigentes da fé, porque não nos oferece a satisfação imediata de uma tarefa concluída.
Talvez por isso as palavras de Jesus sejam tão preciosas: “Continuem confiando.”
A confiança, aqui, é um caminho percorrido dia após dia.
Pode haver dias em que você se sente mais firme.
Em outros, a mesma pergunta voltará com força.
Quando isso acontecer, você poderá se aproximar de Cristo novamente. A oscilação do seu coração não o impede de voltar.
Há uma diferença entre desejar clareza e fazer da clareza uma condição para toda paz.
Desejar clareza é humano.
Precisar conhecer cada desfecho antes de descansar pode nos manter presos a um futuro que ainda não chegou.
Jesus nos oferece sua companhia no presente.
Talvez você não saiba o que dirão os próximos exames.
Talvez não conheça a resposta de alguém.
Talvez ainda não veja como uma situação poderá se reorganizar.
Você pode dizer a verdade sobre isso.
E pode perguntar:
“Senhor, como caminho Contigo hoje?”
Hoje, enquanto aguardo.
Hoje, enquanto procuro ajuda.
Hoje, enquanto cuido do que está ao meu alcance.
Hoje, enquanto a certeza não vem.
Talvez a resposta para tudo ainda demore. A presença de Cristo pode ser buscada agora.
Pense em uma questão para a qual você tem procurado uma resposta definitiva.
Observe com gentileza o que essa espera tem despertado em você.
Depois, pergunte:
O que preciso saber ou fazer hoje, e que certeza estou exigindo antes que ela possa chegar?
Talvez exista uma informação concreta a buscar.
Talvez seja o momento de conversar com alguém.
Talvez você já tenha feito o que podia e precise atravessar esta parte da espera.
Apresente sua pergunta a Jesus e peça companhia para o passo de hoje.
Senhor Jesus,
há uma resposta que eu gostaria de ter.
Tu conheces a pergunta que continua voltando aos meus pensamentos.
Sabes o que espero ouvir e o que tenho medo de descobrir.
Às vezes, procuro sinais em toda parte.
Tento antecipar conversas.
Imagino caminhos diferentes e me canso antes mesmo de percorrer qualquer um deles.
Hoje venho a Ti sem fingir que estou tranquilo.
Recebe minhas perguntas.
Ajuda-me a buscar as informações de que realmente preciso.
Dá-me sabedoria para decidir quando houver uma decisão a tomar.
Coragem para pedir ajuda.
Paciência para esperar quando ainda não houver resposta.
E cuidado com meu coração durante esse intervalo.
Não quero me afastar da vida enquanto aguardo o desfecho desta situação.
Ensina-me a perceber as pessoas ao meu redor.
A cumprir com presença o que cabe a este dia.
A descansar quando minhas forças precisarem de descanso.
E a voltar a Ti sempre que o medo crescer.
Senhor, eu ainda não sei como tudo terminará.
Mas posso falar Contigo agora.
Permanece comigo nesta espera.
E ensina-me a continuar confiando em Ti, um dia de cada vez.
Amém.
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